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Oficina de integração entre Atenção Básica e Vigilância em Saúde reúne especialistas em doenças negligenciadas

24 de Setembro de 2018

Representantes do Ministério da Saúde e do Observatório do Cuidado também estiveram presentes no segundo encontro do grupo, que aconteceu nos dias 13 e 14 de setembro, em Brasília (DF).

Representantes das áreas técnicas da Atenção Básica e Vigilância em Saúde, ambas do Ministério da Saúde, juntamente com a equipe do Observatório do Cuidado (ICICT/Fiocruz), realizaram a segunda oficina do projeto Formação Integral em Saúde. O evento aconteceu em Brasília (DF), nos dias 13 e 14 de setembro, e contou com a participação de especialistas em agravos e doenças negligenciadas prevalentes em áreas tropicais do país.

O objetivo do encontro foi debater, coletivamente, as possibilidades de integração entre as duas áreas técnicas, tendo como foco futuras qualificações de  profissionais que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS), bem como refletir sobre os desafios encontrados nos mais diversos territórios brasileiros para o controle de doenças em condições de negligência, abarcando os agravos: Doença de Chagas, Doença Diarreica Aguda (DDA), Esquistossomose, Hanseníase, Hepatites Virais, Leishmanioses, Raiva, Tracoma e Tuberculose.

De acordo com a coordenadora do Observatório do Cuidado e do projeto Formação Integral em Saúde, Maria Cristina Guimarães, a ocasião foi movida pelo desejo de reunir um grupo de apaixonados pelo SUS, apaixonados por novos desenhos e por novas perspectivas para que seja possível fazer uma integração efetiva no SUS.

“Esperamos criar uma rede com esses momentos, assim como gostaríamos de robustecer e contar com vocês para aprimorar melhor o que pensamos até agora. A ideia é que nos ajudem a embarcar nesse sonho em como fazer uma formação nova, diferente, 100% comprometida com as práticas que estão no território, respeitando o próprio território”, ressaltou Cristina.

A coordenadora complementa dizendo que um dos compromissos foi convidar especialistas de diferentes regiões do país, pois esse projeto pede representações do que se faz de ponta a ponta, de norte a sul, apontando aquilo que se tem de singular no Brasil. “Partimos de uma perspectiva de que a integração é diretiva e orientadora, vinda das politicas públicas, mas que tem fundamentalmente uma dimensão de prática, daquilo que se faz no território. Procuramos estar comprometidos, num primeiro momento, de que a valorização e a prática no território devem ser os grandes vetores para essa integração”, finaliza a coordenadora.

Integração originada na macrogestão

Uma das perspectivas dos encontros que vêm acontecendo é iniciar o processo de integração entre Atenção Básica e Vigilância em Saúde a partir dos profissionais que atuam na macrogestão, considerando que não se pode alcançar um objetivo tão desafiador como esse se essa integração não acontecer primeiro e de forma ampliada na gestão do SUS. Em contrapartida, a participação dos especialistas é fundamental para que questões vividas nos territórios e nos diferentes níveis da assistência em saúde sejam trazidas ao debate de forma descentralizada.

Neste sentido, os técnicos de Vigilância em Saúde enfatizam que realmente não há nada melhor do que encontros como esse para estreitar as relações, refletindo, ao final do processo das qualificações profissionais, no trabalho de quem atua diretamente com a população na porta de entrada do SUS. De acordo com a equipe da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS), esse esforço se dá porque colocar o tema da integração entre as áreas técnicas na agenda no âmbito federal é justamente algo que ainda é distante de quem está nos estados e municípios. O grupo explica também que não pode haver distinção entre o que é atenção e o que é vigilância quando se está atendendo uma pessoa no território.

Por sua vez, os técnicos da Atenção Básica ressaltam a importância de ampliar a capacidade das equipes de saúde nessa lógica da integração entre áreas, pois é onde essa prática irá realmente acontecer, tendo como desafio agora o como fazer isso numa construção diária. Eles explicam que, principalmente após a atualização da Política Nacional da Atenção Básica (PNAB), essa perspectiva de integração veio com mais força para que seja colocada em prática, numa intenção inovadora de aproveitar a oportunidade de mudar parâmetros no sistema público de saúde.

Por: Camila Cruz

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